O Contrato Social (1762) - Jean-Jacques Rousseau

Livro de grande valia para o entendimento da legitimidade do direito, especialmente dos direitos individuais como liberdade e do direito à autodeterminação do cidadão. 

Entretanto é uma obra complexa, cuja didática peca em vários pontos. A escrita não é linear e não raras vezes tortuosa. Não sei se por conta da tradução ou pelas peculiaridades do autor. Não considero um livro de fácil compreensão e muito menos de leitura leve.



O homem nasce bom a sociedade o corrompe, especialmente quando deixa o seio familiar. 

 “A mais antiga de todas as sociedades, e a única natural, é a da família. Mesmo assim, os filhos só estão ligados ao pai enquanto precisam dele para sobreviver. Tão logo cessa tal necessidade, esse vínculo natural se dissolve. As crianças, eximidas da obediência devida ao pai, o pai isento dos cuidados devidos aos filhos, voltam a ser igualmente independentes. Se continuam a permanecer unidos, já não é naturalmente, mas voluntariamente, e a própria família só se mantém por convenção. Esta liberdade comum é uma consequência da natureza do homem. Sua primeira lei consiste em proteger a própria conservação, seus primeiros cuidados são os que deve a si mesmo; assim que alcança a idade da razão, sendo ele o único juiz dos meios apropriados para garantir a sua sobrevivência, torna-se com isso seu próprio senhor.” 

A liberdade é um direito que. embora a todo tempo desafiado, é invencível.

 “O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros. De tal modo acredita-se o senhor dos outros, que não deixa de ser mais escravo que eles. Como é feita essa mudança? Ignoro-o. Que é que a torna legítima? Creio poder resolver esta questão. Se eu considerasse tão-somente a força e o efeito que dela deriva, diria: Enquanto um povo é constrangido a obedecer e obedece, faz bem; tão logo ele possa sacudir o jugo e o sacode, faz ainda melhor; porque, recobrando a liberdade graças ao mesmo direito com que ela lhe foi tomada, esse povo ou tem razão de retomá-la, ou não havia razão alguma de tirá-la.” 

O Contrato Social é uma decisão política de cada um para si mesmo e para todos ao mesmo tempo. 

“Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado com toda a força comum, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes. Esse, o problema fundamental cuja solução o contrato social oferece.” 

A ilusão da igualdade 

“Sob os maus governos essa igualdade é somente aparente e ilusória; serve só para manter o pobre na sua miséria e o rico na sua usurpação. Na realidade, as leis são sempre úteis aos que possuem e prejudiciais aos que nada têm, donde se segue que o estado social só é vantajoso aos homens quando todos eles têm alguma coisa e nenhum tem demais” 

Igualdade não tão “igual”, mas suficiente para o funcionamento correto do contrato social. 

 “A respeito da igualdade, não se deve entender por essa palavra que os graus de poder e riqueza sejam absolutamente os mesmos, mas que, quanto ao poder, esteja acima de toda violência e não se exerça jamais senão em virtude da classe e das leis; e, quanto à riqueza, que nenhum cidadão seja bastante opulento para poder comprar um outro, e nem tão pobre para ser constrangido a vender-se” 

O Direito se funda na convenção, jamais na força

“Quando é a força a que faz o direito, o efeito substitui a causa; toda força que sobrepuja a primeira sucede-a em seu direito. Quando se pode desobedecer impunemente, pode-se fazê-lo legitimamente, e, já que o mais forte sempre tem razão, trata-se apenas de buscar ser o mais forte. Ora, que direito é esse que perece quando cessa a força? Se é preciso obedecer pela força, não há necessidade de obedecer por dever; e, se não somos mais forçados a obedecer, não estamos mais obrigados a isso. (...) Já que nenhum homem tem uma autoridade natural sobre seu semelhante, e já que a força não produz nenhum direito, restam as convenções como base de toda autoridade legítima entre os homens.”


O Príncipe - Nicolau Maquiavel (1513)

É partir deste livro que surge a expressão: “maquiavélico” (uma pessoa capaz de passar por cima de outras, da ética e das normas para conseguir seus objetivos). 

O Príncipe é manual de como um governante deve governar. Para tanto, semeia a ideia de que os fins justificam os meios. O que importa é a vitória, ainda que por meios sujos, antiéticos ou desleais.

Maquiavel não se preocupa em idealizar um príncipe,a justiça um povo ou um estado ou reinado. Busca tão somente compreender a natureza humana à luz do poder. Não se preocupa com o que deve ser, mas com o que é. 

Trata-se de um manual de governança prático e ainda muito atual. As relações humanas continuam a revelar diversos traços relatados por Maquiavel, tais como instabilidade, ingratidão, individualismo, hipocrisia e conveniência. 

É neste cenário que Maquiavel ilustra diversos conselhos ao príncipe, o qual deverá se portar de forma astuta, atenta e flexível, sob pena de perder o poder.



A verdade Efetiva das Coisas

A verdade efetiva das coisas impõe a leitura da realidade despida de intenções divinas; fatalismos sobrenaturais e a imprevisibilidade que assolaram as obras políticas clássicas.

A natureza Humana 

"Nos tempos de bonança, e enquanto lhes fazemos o bem, estão todos, como já tive ocasião de dizer, ao nosso lado, oferecem-nos o sangue, os haveres, avida, os filhos;mas quando a tormenta se aproxima, revoltam-se."

Forças de Oposição

Em todas as sociedades existem duas forças opostas. UIma das forças quer dominar enquanto a outra não quer ser dominada. O dever do Governante (príncipe) é criar um mecanismo que gera uma estabilidade entre as forças. 

Principado e República

A natureza humana poderá conduzir o Estado a Anarquia (indivíduos sem qualquer compromisso com o Estado), devendo o Governante (príncipe) regenerar o Estado, preferencialmente atuando como educador, não como tirano, só assim seria possível a criação e consolidação de uma república. 

Virtude e Fortuna

São duas condições de grande relevância para compreender o poder. 

Fortuna: Diz respeito as circunstâncias do tempo, a sorte ou a ordem das coisas em um determinado cenário. O governante poderá chegar ao poder com a fortuna, mas isto, por si só, não é suficiente para mantê-lo, pois nem sempre a sorte lhe favorecerá. 

Virtu: É a capacidade de controlar. A flexibilidade de decisão diante de circunstâncias diferentes. Um princípe sem virtu ficará a mercê da sorte e certamente perderá o poder com o tempo. 


Alguns Conselhos de Maquiável (praticados na Política)

"Os que vencem, não importa como vençam, nunca conquistam a vergonha." 

"Os homens têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer, pois o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários, já que os homens são egoístas; mas o temor é mantido pelo medo do castigo, que nunca falha." 

"O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta." 
"Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal." 
"Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do património." 
"Os homens devem ser adulados ou destruídos, pois podem vingar-se das ofensas leves, não das graves; de modo que a ofensa que se faz ao homem deve ser de tal ordem que não se tema a vingança." 
"Os homens prudentes sabem sempre tirar proveito dos atos a que a necessidade os constrangeu." 
"Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal."



Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

Assim como "1984", "Admirável mundo novo" é um livro de ficção futurista de leitura obrigatória para aqueles que apreciam o tema. 

O "Admirável Mundo Novo" ilustra um Estado totalitário, porém sem a paranóia presente em "1984". Há um ambiente extremamente científico, uma sociedade fundada na eugenia, na hipnopedia, no condicionamento subliminar e na quota diária aos cidadãos de uma droga denominada Soma.

Comunidade, Identidade  Estabilidade

Os valores, sentimentos fortes ou noções de individualismo são reprimidas em prol da comunidade. Todos devem ter sentimento voltados exclusivamente para o Estado e em prol dele. Dai a identidade humana deixa de ser singular, sacrificada em prol da comunidade: "Cada um pertence a todos".

"Os homens que governam o Admirável Mundo Novo podem não ser sãos de espírito (no que se poderia chamar o sentido absoluto da expressão); mas não são loucos. Sua meta não é a anarquia, e sim a estabilidade social."




Soma

Uma droga criada para aliviar quaisquer sentimentos de desconforto (medo, estresse, raiva, decepção e etc...), porém, sem qualquer efeito colateral, frequentemente consumida pelos habitantes de "Admirável Mundo Novo".

"A felicidade constante é obtida não só pelo complexo – e completo – condicionamento. O Soma é a fuga dos problemas de toda e qualquer pessoa desse futuro. A droga sem efeitos colaterais aparentes é o que acalma a população e ajuda a fugir de qualquer conflito que se possa vivenciar. Qualquer mínimo tormento é rapidamente dissipado com gramas de Soma, o que garante que todos os indivíduos mantenham-se submersos na aceitação. É o que garante a estabilidade desse mundo."

A reprodução humana

A reprodução humana é inteiramente artificial. A reprodução humana mais se parece com uma fábrica de automóveis, daí alusão frequente a Ford (Fordismo), ocorre os Centros de Incubação e Condicionamento. É a forma pela qual o Estado controla a superpopulação, as características genéticas em mínimos detalhes fazendo surgir diferentes castas.

"Nós também predestinamos e condicionamos. Decantamos nossos bebês sob a forma de seres vivos socializados, sob a forma de Alfas ou de Epsilons , de futuros, carregadores ou de futuros... ia dizer "futuros Administradores Mundiais", mas, corrigindo-se, completou: - futuros Diretores de Incubação."


Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Ipsilons 



1. Alfas. Detentores de conhecimento. A casta alta. Vestem roupas cinzas.

2. Betas. Detentores de habilidades específicas para a realização de tarefas. Casta alta.

3. Gamas. Mão-de-obra. Formados pelo processo Bokanovsky1. Casta baixa. Vestem roupas verdes.

4. Deltas. Mão-de-obra. Formados pelo processo Bokanovsky. Casta baixa. Vestem roupas cáqui.

5. Ipsilons. Mão-de-obra. Formados pelo processo Bokanovsky. Casta baixa. Vestem roupas pretas.

Sexo, Amor, Família e Religião

O sexo é concebido exclusivamente para fins de prazer, é praticado  de forma livre e sem compromisso por homens e mulheres. A educação sexual para tal prática ocorre desde a infância.. As relações de afeto são instantâneas, não há relacionamentos amorosos duradouros.  Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo.

Não há família, cada ser humano nasce, desenvolve e trabalha exclusivamente para o Estado, sendo condicionado não só a realizar suas funções, como a ter determinados divertimentos e, acima de tudo, aceitar de forma pacífica e "feliz" a sua vida programada pelo Estado.

Família, monogamia, religião, privacidade e pensamento criativo constituem crime. Os conceitos de 'pai' e 'mãe' são meramente históricos. O sentimento de pertencimento de cada ser humano não deriva de escolhas sociais, familiares e profissionais, mas da vontade suprema do Estado que programa até mesmo isto (castas, local de trabalho, funções, combinações de relacionamento, soma, etc...)

Exilados

"Os homens que acabam por “despertar para a vida” são rapidamente excluídos, não apenas pelo Estado como também por todos aqueles com quem convivem. Os “excêntricos” são mandados para Ilhas, onde vivem em uma comunidade excomungada e mais esclarecida."

Reservas Selvagens

Mesmo em um mundo tecnológico e científico ainda restam comunidades isoladas e tradicionais. As Reservas de Selvagens foram construídas em locais considerados inabitáveis e são ocupadas pelos homens que foram deixados, desde o começo, à mercê da nova ordem. Apenas alguns civilizados de castas superiores têm o direito de fazer visitas a esses locais. Ao encontrarem uma cultura completamente diferente, por serem condicionados, a menosprezam.


John, O Selvagem ("Sr. Selvagem")

É o filho de um "Nativo" e de Linda (Uma beta que foi abandonada numa reserva selvagem após ter sido considerada morta num passeio turístico). John é criado pela mãe uma cidadã de "admirável mundo novo" num ambiente "Selvagem", daí a sua singularidade.

John deseja "admirável mundo novo" pois sente que a reserva selvagem não é seu lugar, sendo levado para "civilização", mas também aqui é rejeitado, pois sua individualidade, espiritualidade e criatividade são frequentemente ridicularizados. 

100 (Cem ) anos de solidão - Resenha Resumo

Cem Anos de Solidão (1967) é uma obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez (Prémio Nobel da Literatura em 1982). 
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O modo de escrita é extremamente rico, preciso e contemplativo, capaz de traçar e desvendar com exatidão as mais complexas personalidades, relações humanas e beleza dos cenários. O Autor consegue fornecer ao leitor elementos quase que perfeitos para o imaginário. 
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Exatamente por permitir ao eleitor uma imaginação precisa (sensorial) e mágica, Cem Anos de Solidão é um livro de deleite, para ser lido pelo simples e puro prazer, tal como se faz com um filme, seriado, novela ou afim. Aliás, deste livro poderia surgir facilmente qualquer uma dessas espécies.


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Cem Anos de Solidão x Realismo Mágico

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Cem anos de Solidão se enquadra no estilo do realismo mágico. Elementos mágicos ou fantásticos compõem o cotidiano e os próprios personagens, sob o contexto da naturalidade e intuição. A realidade é tratada sob o ponto de vista das “sensações” que surgem de cada personagem. 
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No realismo mágico o tempo é como uma roda, é cíclico, não linear, com distorções entre passado e presente. Não raras vezes passado e presente se confundem, neste ponto reside o aspecto da intuição. 
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“Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas das suas anáguas e tratou de se agarrar no lençol para não cair, no momento em que Remedios, a bela, começava a ascender. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irremediável e deixou os lençóis à mercê da luz, olhando para Remedios, a bela, que lhe dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos escaravelhos e das dálias e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e se perderam com ela para sempre nos altos ares onde nem os mais altos pássaros da memória a podiam alcançar.”
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Cem Anos de Solidão x Macondo

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Cem Anos de Solidão tem como cenário a aldeia chamada Macondo. A história é contado a partir deste lugar peculiar. 
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“Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. (...) José Arcadio Buendía, que era o homem mais empreendedor que se poderia ver na aldeia, determinara de tal modo a posição das casas que a partir de cada uma se podia chegar ao rio e se abastecer de água com o mesmo esforço; e traçara as ruas com tanta habilidade que nenhuma casa recebia mais sol que a outra na hora do calor. Dentro de poucos anos, Macondo se tornou uma aldeia mais organizada e laboriosa que qualquer das conhecidas até então pelos seus 300 habitantes. Era na verdade uma aldeia feliz, onde ninguém tinha mais de trinta anos e onde ninguém ainda havia morrido”
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A aldeia Macondo tem seu crescimento, estagnação e decadência diretamente relacionada a prosperidade ou fim da família Buendía. 
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Abaixo Macondo  em seu Auge:  

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Cem Anos de Solidão x Família Buendía


Cem Anos de Solidão reflete a história da familia Buendia cujos entes tem por característica essencial a solidão ou modo solitário de vida: 
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“Então o Coronel Aureliano Buendía tirou a tranca e viu na porta dezessete homens dos mais variados aspectos, de todos os tipos e cores, mas todos com um ar solitário que teria bastado para identificá-los em qualquer lugar da terra. Eram os seus filhos. Sem combinar nada, sem se conhecerem, tinham chegado dos mais distantes lugares do litoral, cativados pelo barulho do jubileu. Todos usavam com orgulho o nome de Aureliano e o sobrenome da mãe.”
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Cem Anos de Solidão contém uma gama variada e numerosa de histórias familiares, cada qual com sua singularidade, mas ao mesmo tempo com ligação com a essencial à família Buendía: 
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"... a história da família era uma engrenagem de repetições irreparáveis, uma roda giratória que teria continuado dando voltas até a eternidade, se não fosse o desgaste progressivo e irremediável do eixo."
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No Livro está presente árvore genealógica da família Buendía para que o leitor possa ter uma visão geral da longa e numerosa estirpe:


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Por se tratar de uma história de numerosos personagens, com nomes repetidos e combinados, a tendência é que o leitor se confunda. Certamente esta “confusão” foi o efeito pretendido pelo autor, para intensificar a ideia de tempo cíclico (fatos que se repetem), também para ressaltar a mágica ligação  entre os Buendía (intuição).

Cem Anos de Solidão x América Latina


Macondo é uma aldeia remota da América Latina que embora pequena consegue refletir ou sintetizar todo o espírito latino americano, isto é, o isolamento e solidão em relação ao mundo (periferia do capitalismo), o subdesenvolvimento, a corrupção, a instabilidade política e a sujeição de sua economia...

“Macondo estava em ruínas. Nas imensas poças d’água das ruas restavam móveis despedaçados, esqueletos de animais cobertos de lírios colorados, últimas recordações das hordas de aventureiros que fugiram de Macondo tão atarantados como haviam chegado. As casas levantadas com tanta urgência durante a febre da banana tinham sido abandonadas. A companhia bananeira desmantelara suas instalações. Da antiga cidade cercada só restavam os escombros”.

Por outro lado, as múltiplas facetas da família Buendía está ligada a identidade do povo latino americano, suas esperanças, suas decepções, suas glórias e sua decadência. 
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Descrição de Personagens

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Primeira Geração

José Arcadio Buendía: Patriarca da família Buendía e fundador da cidade de Macondo, casou-se com sua prima Ursula Iguaran aos 19 anos . Homem empreendedor, de caráter forte , alimentado por sonhos extravagantes ,interessava-se por física , alquimia e mecânica . O cigano Melquíades o colocava a par das novidades que descobria ao longo das suas viagens pelo mundo. Após ter enlouquecido foi amarrado a uma árvore na qual permaneceu preso, mesmo após ter sido libertado das cordas que o amarravam.

-Úrsula Iguarán: Matriarca da família Buendía-Iguarán , prima e esposa de José Arcadio Buendía . Úrsula é uma mulher que batalha por sua família sem medir esforços, possui um comportamento forte e busca o bem estar de todos; por isso sofre constantemente ao ser a "voz da razão de uma familia de loucos", como ela mesmo afirma. Parece ter em seu destino a luta pelos homens da família. É uma personagem muito forte no livro, onde em todas as fases está caracterizada pela sua presença e só para de sê-la quando a idade não permite mais. Vive entre 100 e 120 anos.

-Segunda Geração-

José Arcadio: Filho mais velho de José Arcádio Buendía e Úrsula, é batizado com o nome do pai. Mantém relações com Pilar Ternera, a quem abandona grávida. Foge com os ciganos em razão de paixão repentina por uma cigana e volta só muito tempo depois. Quando reaparece, é homem forte, com tatuagens, falando a língua de marinheiros e gabando-se por ter navegado os quatro cantos do mundo. Casa-se com sua irmã de criação, Rebeca. Morre com assassinado com um tiro que ninguém sabe como e por quem foi dado.

-Aureliano: Segundo filho de José Arcádio Buendía e Úrsula - é batizado com o nome do Avó - Pai de José Arcádio. Se envolve com a política ao tentar impedir o Sr. Apolinar Mascote de pintar todas as casas de azul a mando do governo. Conhece Remedios Moscote e se apaixona. Casam-se apesar da grande diferença de idade. Mais tarde, torna-se Coronel Aureliano Buendía, ao participar da guerra ao lado dos liberais. Morre sozinho em casa, muitos anos depois, fazendo peixinhos de ouro.

-Amaranta: Terceira filha de José Arcádio Buendía e Úrsula. Se apaixona por Pietro Crespi, assim como sua irmã de criação, Rebeca. Esta arruma seu casamento, enquando Amaranta tenta interrompê-lo. Rebeca desmancha o noivado e se casa com seu irmão de criação José Arcadio. Pietro Crespi se apaixona por Amaranta, que mesmo apaixonada, não o dá esperanças. Tem uma relação amorosa com Aureliano José, seu sobrinho (filho do Coronel Aureliano com Pilar Ternera). Ao fim, mantém uma amizade com o Coronel Gerineldo Márquez, mas o esnoba. Morre virgem e com uma atadura na mão que carrega por boa parte da vida, fruto de uma queimadura em penitência que ela faz consigo mesma após o suicídio de Pietro Crespi.

-Terceira Geração-Arcadio: Filho de José Arcadio com Pilar Ternera. Morre tentando fazer um revolução liberal em Macondo. Tem três filhos com Santa Sofia de La Piedad: Remédios a Bela e os Gêmeos Aureliano Segundo e José Arcádio Segundo.

-Aureliano José: Filho de Aureliano com Pilar Ternera, é morto com um tiro nas costas ao sair correndo de uma peça teatral, depois de desacatar um coronel em plena guerra.

-17 Aurelianos: Durante suas 32 guerras civis , o coronel Aureliano Buendía tem 17 filhos com 17 mulheres diferentes, sendo que com cada uma passou apenas uma noite .Em certo momento , a casa dos Buendía é visitada por 17 mulheres diferentes solicitando a Úrsula batizar seus filhos, a qual os batiza com o nome de Aureliano. Em uma noite, 16 deles são assinados. O último é assinado muitos anos depois, ao ter seu pedido de abrigo negado por Aureliano Babilonia.

-Quarta Geração

Remédios, a Bela: A mulher mais bonita que existiu no mundo , mesmo podendo ter qualquer homem para si não se envolveu com nenhum dos que a seguiam e dos que morreram por ela. Chamada no livro de Remedios, a bela, é uma garota que cresceu sem malícias ou pensamentos complexos. Queria apenas viver, comer, dormir.Não entendia por que as pessoas complicavam a vida. Achava natural andar nua e ria na cara dos homens que a pediam em casamento. Certo dia, sobe aos céus.

-José Arcadio Segundo: José Arcadio Segundo é irmão gêmeio de Aureliano Segundo, filho de Arcadio e Santa Sofía de la Piedad. Úrsula crê que ambos foram trocados na infância , pois José Arcádio possui as características do Aurelianos. Herdeiro do espírito anarquista do Coronel Aureliano Buendía, José Arcadio lidera uma greve geral do trabalhadores da companhia bananeira. Com a greve os trabalhadores são exterminados em uma estação de trem. No entanto, José Arcadio sobrevive. Os fantasmas desse dia o atormentam até o dia de sua repentina morte. Influencia Aureliano Babilônia, com a história do extermínio, a tentar desvendar os pergaminhos de Melquíades.

-Aureliano Segundo: Era esbanjador e tocava acordeão nas festas que promovia. Era receptivo mesmo com os forasteiros. Apesar de casado com Fernanda del Carpio, entranhava-se em um amor intrínseco com a cuncubina Petra Cotes, até a sua também morte repentina no mesmo instante que o irmão gêmeo, José Arcadio Segundo. No funeral , os corpos são trocados e um é enterrado na tumba do outro.

-Quinta Geração

-Amaranta Úrsula: Estudará em Bruxelas, onde se casará com um homem de posses chamado Gastón. Anos depois, volta a Macondo e se apaixona por Aureliano Babilônia, sem saber que era seu sobrinho, e têm um filho, o último dos Buendía.

-Renata Remedios (Meme): Filha de Aureliano Segundo e Fernanda, estuda para agradar sua mãe que tem sonhos aristocráticos. Ao voltar para Macondo se relaciona com Mauricio Babilônia, um caso não aprovado por sua mãe, que gerará Aureliano. Fernanda a manda para um convento, sem saber que está grávida, onde morreu sem ter dito nem mais uma palavra.

-José Acardio: Vai estudar para ser padre em Roma. Quando volta para ver sua mãe Fernanda , encontra-a morta na cama a sua espera. Permanece em Macondo e transforma a casa em um paraíso decadente. Dava festas na casa, com garotos mais novos que julgava ajudar. Em uma dessas festas se irrita e os expulsa da casa as chicotadas. Tempos mais tarde, os meninos o afogam na caixa-d'água.

-Sexta Geração

Aureliano Babilonia: Filho bastardo de Renata Remedios e Mauricio Babilônia, é confinado a viver sem sair de casa, pois Fernanda não podia aceitar a existência de um filho bastardo em sua linhagem. É levado à casa por uma freira, vindo do convento onde Renata estava. Fernanda consegue convencer a todos que ele foi deixado à porta numa cesta. Muitos anos depois, Aureliano tem um caso com sua tia, Amaranta Úrsula. É ele quem traduzirá os pergaminhos de Melquíades e quem será o pai do último Buendía, "por que as estirpes condenadas a cem anos de solidão não teriam uma nova chance na terra".

-Sétima Geração

Aureliano: Último da linhagem dos Buendía, filho de Amaranta Úrsula e Aureliano Babilônia. Nasce com o rabo de porco, pois eram da mesma família e cederam á tradição: que duas pessoas não poderiam establecer uma relação sexual, pois o filho nasceria com um rabo de porco. É levado pelas formigas ao fim do livro, concretizando as profecias de Melquíades.
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Outros personagens 

Melquíades: Melquíades é um dos ciganos que visita Macondo, trazendo inventos e mercadorias de diversos lugares do mundo. Morreu nas dunas de Cingapura. Escreve os pergaminhos que preveem a história da família Buendía , os quais são traduzidos por Aureliano Babilônia.

-Pilar Ternera: Pilar é uma mulher alegre e decidida que habita Macondo, transformando-se na concubina dos irmãos Aureliano e José Arcádio Buendía, sendo que com cada um tem um filho (Aureliano José e Arcádio). Pilar lê e prevê o futuro nas cartas e se torna a dona de um prostíbulo.

-Rebeca: Filha adotiva de Úrsula e José Arcadio. Chega a Macondo procedente de uma cidade vizinha e traz consigo a peste da insônia. Come terra quando está desesperada. Torna-se namorada de Pietro Crespi, professor de boas maneiras , entretanto se entrega a paixão por José Arcádio, seu irmão de criação, do qual se torna esposa.

-Pietro Crespi: É disputado por Rebeca e Amaranta . Inicia um namoro com Rebeca, porém esta o troca pelo irmão de criação, José Arcádio. Em seguida, Amaranta declara seu amor por Pietro, entretanto a mesma se recusa a casar como vingança por ter preferido Rebeca . Em razão da rejeição que sofre, Pietro suicida-se .

-Maurício Babilônia: Mauricio é um aprendiz de mecânico da companhia Bananeira. Aparentemente é descendente dos ciganos e possui como peculariedade o fato de ser seguido constantemente por borboletas amarelas. Maurício namora Meme, porém Fernanda descobre o romance e trata de por um fim na relação. Maurício continua visitando a amada, mas um guarda solicitado por Fernanda o acerta com um tiro, confundindo - o com um ladrão de galinhas, sendo que em razão disso passa o resto de sua vida inválido. Meme, a qual estava grávida de Maurício, dá a luz a Aureliano Babilônia. 

-Fernanda del Carpio: Nasceu em uma cidade a muitos léguas de Macondo, filha de uma família nobre, mas empobrecida. Na infância e adolescência se dedicou aos estudos em um convento, onde foi preparada para ser rainha. Casa-se com Aureliano segundo, todavia este continua vivendo com a amante. A sua chegada na casa dos Buendía marca o princípio da decadência em Macondo. É muito perfeccionista e neurótica, sendo uma religiosa quase fanática. Ao descobrir o romance de sua filha Meme com Maurício, faz este ser baleado por uma autoridade, o que o torna inválido e para sempre temido como ladrão de galinhas. Em seus últimos dias, vive sozinha em casa com Aureliano Babilônia, seu neto a quem nunca assumiu. Morre quatro meses antes da chegada de Roma de seu filho José Arcádio.”
Descrição de Personagens via Wiki 

Resenha de "A Metamorfose" - Franz Kafka

"A Metamorfose é uma novela escrita por Franz Kafka em 1912, impressa em 1915 em uma revista alemã "Die Weissen Blätter" (As Folhas Brancas). No Brasil, foi primeiramente publicado em 1956, pela Editora Civilização Brasileira."
Um livro que pode ser lido numa tarde, pois pouco volumoso e com linguagem de fácil assimilação.

Encanta pela inusitada hipótese que levanta (ficção absurda), um filho (Gregor) arrimo de família que se transforma num inseto monstruoso numa bela manhã. 

Resenha  / Resumo da Obra



Gregor Samsa é um caixeiro viajante de rotinas extenuantes, suportadas  em prol do sustento e conforto da família. Esta condição é assumida a partir da falência e endividamento do negócio do pai. Nesta família apenas Gregor trabalha. 

Até se transformar num inseto monstruoso, Gregor é um filho exemplar, querido por todos. Após a metamorfose ou durante ela, passa a ser repelido e isolado pela família em um quarto fechado. 

O pai não o aceita. A mãe não o aceita, mas tem esperança que ele retorne ao estado humano. A irmã se preocupa e é a única que tem coragem de se aproximar dele para lhe dar alimentos ou lhe proporcionar algum conforto, porém sem manter contato visual ou qualquer outra forma de comunicação. 

Isolado como uma aberração e sem poder ajudar em absolutamente nada a família, Gregor mesmo na condição de inseto tenta superar esta condição, buscando ignorar seu aspecto monstruoso e de algum modo voltar a trabalhar. Aos poucos vai aceitando a sua nova realidade e em alguns momentos se vê aliviado por não ter a sua estafante e odiosa rotina de trabalho. 

Por outro lado, a família Samsa se vê obrigada a economizar ao máximo e buscar fontes alternativas de renda. Gregor antes filho exemplar se torna cada vez mais um peso morto, um inconveniente a ser eliminado, pois de nada serve senão para provocar vergonha, despesas e desgastes emocionais e sociais. 

Gregor tenta buscar contato com a família, tenha talvez uma esperança que possa ser reconhecido com um mínimo de dignidade. Quando deixa o quarto sempre é "tocado" de volta, pois é visto como uma ameaça. Em uma destas eventuais saídas do quarto, Gregor é atingido por uma maçã atirada pelo pai que atravessa suas costas e o fere gravemente.

Ferido, consciente da sua miserável condição e sem esperanças, Gregor se entrega, deixa de se alimentar e se enfraquece, tendo cada vez mais certeza que a sua morte era o melhor fato que podia acontecer a família Samsa. Enfim, Falece.  

A família Samsa se sente aliviada, enche-se de esperança e novos planos e sonhos começam a ser planejados como num passe de mágica.

Conclusão

Alguns destes passes de mágica podem ser observados em situações não tão absurdas como a relatada em "A metamorfose", contudo, em situações comuns, tais como uma grave doença ou a chegada da velhice de um familiar. Talvez Kafka tenha tido a intenção de realizar uma hipérbole destas situações para escancarar alguns aspectos das relações humanas, suas conveniências, circunstâncias, vícios e repugnâncias.

O livro nos leva a imaginar como seríamos no lugar de Gregor ou dos seus familiares. Numa realidade distante e hipotética pensamos em ser melhores, porém certamente isto não ocorreria numa realidade implacável e voraz de um inseto.

Personagens

Gregor Samsa: Um caixeiro viajante que trabalha ininterruptamente, não tem muitos amigos. Pressionado pelo emprego apenas se mantém no cargo porque é o único que pode sustentar a família. No inicio se transforma num inseto monstruoso, por conta disso passa por diversos problemas como rejeição de sua família, por exemplo.

Grete Samsa: Irmã de Gregor, era jovem dócil e não sofre por preconceitos. Esta é a única que tem uma relação direta com ele, mesmo após sua transformação. Adorava violino e tocava muito bem, mas a família não tinha dinheiro para pagar seus estudos.

Sr. Samsa: Pai de Gregor. Recusava e odiava seu filho em forma de inseto. Era muito preconceituoso e não trabalhava pois tinha problemas na coluna

Sra. Samsa: Mãe de Gregor, Tinha nojo de seu filho em forma de inseto mas continuava amando-o.

Ana: Uma ajudante que trabalhava na casa dos Samsa junto com Sra. Samsa, arrumando a casa.

Os três inquilinos: Alugam um quarto na casa dos Samsa após a transformação de Gregor.

Gerente do escritório: Chantageava Gregor por causa da dívida da família, obrigando-o a trabalhar loucamente.

Resenha do Livro 1984 (George Orwell)

Do que se trata o livro?

É uma ficção escrita em 1949. Retrata um sociedade no futuro (1984), um mundo que se dividiu em três grandes blocos, nações ou países, todos eles totalitários e em constante guerra, entretanto, uma guerra "estabilizada".

Na verdade, o maior inimigo destes super-estados é sua própria população, a qual é controlada de todas as formas e maneiras, com intensa e constante vigilância. As ideias, pensamentos e sentimentos devem sempre ser dirigidos em prol do fortalecimento do partido, sob pena dos traidores serem vaporizados (eliminação da vida e de os registros ou provas de sua própria existência)


Winston Smith

O livro é contado a partir da perspectiva de Winston Smith, um funcionário do partido que vive na Oceania, mas precisamente em Londres. Winston é um homem de meia idade, vivendo em uma rotina massante, disciplinada e vigiada em seus mínimos detalhes através de teletelas, aliás, como todos os membros do partido.

Winston trabalha no ministério da verdade alterando dados históricos e rescrevendo versões e registros oficiais conforme a conveniência do partido. O Poder do partido é mantido alterando constantemente as informações através deste ministério.

O protagonista vive o conflito entre manter sua vida massante, sem qualquer significado e dignidade, ou revoltar-se contra o partido em busca de um mundo livre e real, assumindo o risco de ser vaporizado, ou pior, ser minuciosamente e lentamente torturado.


Teletelas

Em cada casa, praça, comércio, local público ou local que frequentasse os membros do partido haviam Teletelas, uma placa de metal retangular que parece um espelho embotado e age como uma televisão, uma câmera, e um dispositivo de escuta para o Partido de modo a vigiar todos, exceto os proletas.


A objetificação do ser humano ou sua indignidade

Numa sociedade marcada pelo controle do Estado sobre todos os cidadãos e com total opressão daqueles que se mostram minimamente uma ameaça ao poder do partido, todo e qualquer sentimento que não seja em favor do Estado ou em desfavor dos seus inimigos é reprimido de todas as formas.

Se não é possível oprimir todas as formas sentimentais inconvenientes ao partido,  elas são abreviadas ou minimizadas ao máximo. Não se permitia o amor ou sentimento nas relações humanas, sendo tais relações concebidas apenas e tão somente como um dever para com o Estado:
"O único fim reconhecido do casamento era procriar filhos para o serviço do Partido. A cópula devia ser considerada uma pequena operação ligeiramente repugnante, como um clister. Isto tampouco era dito em voz alta, mas de modo indireto era ensinado a cada membro do Partido, desde a infância. Havia até organizações como a Liga Juvenil AntiSexo, que advogava completo celibato para ambos os sexos. Tôdas as crianças deveriam nascer por inseminação artificial (insemart) e educadas em instituições públicas."

Proletas

A classe marginalizada, composta por pobres e trabalhadores que viviam na periferia, à margem de todas as leis do partido. Constituía a maioria da população de Oceania e certamente das outras duas grandes nações. Eram pessoas completamente alienadas e incapazes de questionar, reivindicar ou afetar o poder do partido. Apesar disso Winston Smith observa que, se houvesse esperança, ela estaria nos proletas.

O partido

O partido é dividido em partido interno (núcleo do partido) e externo. O núcleo do partido era composto por todos os tipos de pessoas, judeus, asiáticos, negros, brancos, entre outros compartilhando os grandes poderes do partido, que via a todos como iguais. O padrão de vida do núcleo do partido era infinitamente superior ao nível de vida do membros do partido externo. A sociedade era regida pelo socing ou socialismo inglês que utilizava a desigualdade social como instrumento para dominação. 

Socing ou Socialismo Inglês

A ascensão do novo socialismo (versus a democracia e capitalismo), que resultou em Socing ou Socialismo Inglês na Oceania, Neo-bolchevismo na Eurásia e Culto da Morte em Lestásia. Cada um destes regimes tem o objetivo consciente de perpetuar a falta de liberdade e desigualdade, prendendo progresso, congelamento história em um momento escolhido, e para tanto usa a guerra e controle quase que absoluto sobre toda população. Tudo isto para manter o poder em seu estado máximo e eterno. Como não deixaria de faltar num regime totalitário, há um culto a um personagem central, o Grande Irmão ou Big Brother, capaz de despertar um misto de amor e temor. 


Grande Irmão (G.I.) - Big Brother (B.B)

O Grande Irmão lembra o líder politico Stálin. Não existe religião na Oceânia, o Deus deles é o Grande Irmão, cabendo a toda população venerá-lo. Não se sabe se existe ou se foi um criação da cúpula do partido. O fato é que por toda Oceania há cartazes do grande irmão: "O grande irmão zela por você" ou "O Grande Irmão está te assistindo".

Ministérios do Partido

"O  Ministério da Paz ocupa-se da guerra, o da Verdade com as  mentiras, o do Amor com a tortura e o da Fartura com a fome.  Essas contradições não são acidentais, nem resultam de hipocrisia ordinária: são exercícios  conscientes de duplipensar. Pois é só reconcíliando  contradições que se pode reter indefinidamente o poder."

Duplipensamento 

"Duplipensar quer dizer a capacidade de guardar  simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e  aceitá-las ambas. O intelectual do Partido sabe em que  direção suas lembranças devem ser alteradas; portanto sabe  que está aplicando um truque na realidade; mas pelo exercício  do duplipensar ele se convence também de que a realidade não  está sendo violada." 

"O processo tem de ser consciente, ou não  seria realizado com a precisão suficiente, mas também deve  ser inconsciente, ou provocaria uma sensação de falsidade e,  portanto, de culpa. O duplipensar é a pedra basilar do  Socialismo Inglês, já que a ação essencial do Partido é usar a fraude  consciente ao mesmo tempo que conserva a firmeza de propósito  que acompanha a honestidade completa. 

Dizer mentiras  deliberadas e nelas acreditar piamente, esquecer qualquer  fato que se haja tornado inconveniente, e depois, quando de  novo se tornar preciso, arrancá-lo do olvido o tempo  suficiente à sua utilidade, negar a existência da realidade  objetiva e ao mesmo tempo  perceber a realidade que se nega -  tudo isso é indispensável. 

Mesmo no emprego da palavra  duplipensar é necessário duplipensar. Pois, usando-se a  palavra admite-se que se está mexendo na realidade; é preciso  um novo ato de duplipensar para apagar essa percepção e assim  por diante, indefinidamente, a mentira sempre um passo além  da realidade. Em última análise, foi por meio do duplipensar  que o Partido conseguiu - e, tanto quanto sabemos,  continuará, milhares de anos - deter o curso da história."

Guerra é paz

"Os três super-estados estão permanentemente em guerra, e assim tem sido nos últimos vinte  e cinco anos. A guerra, contudo, não é mais a luta desesperada e aniquiladora que costumava ser nas primeiras décadas do século vinte. É uma luta de objetivos limitados  entre combatentes incapazes de destruir um ao outro, sem causa material para guerrear e sem mesmo qualquer genuína  divergência ideológica. apesar de irreal, ela tem sentido. Devora os excedentes dos artigos de consumo e ajuda a conservar a atmosfera mental especial que uma sociedade hierárquica exige."

Desse modo, é a guerra um dos fatores de estabilização do poder do partido, funcionando como controle da população pelo medo e incerteza e manutenção do sistema produtivo sem elevar as condições de vida do povo e imobilizando-o. 

Liberdade é Escravidão

A Liberdade se refere à liberdade de poder, poder do partido, através da obediência incondicionada e ilimitada de cada cidadão (escravidão). Segundo o partido, o ser humano é sempre derrotado quando sozinho ou livre. Assim deve ser, porque todo ser humano está condenado a morrer, que é o maior dos fracassos. Mas se puder realizar uma submissão completa, total, se puder fugir à sua identidade, se puder fundir-se no Partido então ele é o Partido, e é onipotente e imortal. É na escravidão (submissão ao partido) que o ser humano se libertaria. 

Ignorância é Força

A ignorância é a alienação, é a capacidade de não refletir, de não sentir, de não se emocionar ou se não indignar. É o estado total de alienação que permite que o Partido ganhe força. A ignorância da população significa a força do Partido. E com força o partido se mantém eternamente no poder.

É através da força que o partido consegue quebrar a alternância natural de poder. Esta questão foi retratada por Goldstein, um opositor ferrenho do grande irmão que ninguém sabe se existe, existiu ou ainda vive:

"A sociedade se divide em três classes, a alta, a média e a baixa. . O objetivo da Alta é ficar onde está. O da Média é trocar de lugar com a Alta. E o objetivo da Baixa, quando tem objetivo - pois é característica constante da Baixa viver tão esmagada pela monotonia do trabalho cotidiano que só intermitentemente tem consciência do que existe fora de sua vida - é abolir todas as distinções e criar uma sociedade em que todos sejam iguais.  
Assim, por toda a história, trava-se repetidamente uma luta que é a mesma em seus traços gerais. Por longos períodos a Alta parece firme no poder, porém mais cedo ou mais tarde chega um momento em que, ou perde a fé em si própria ou sua capacidade de governar com eficiência, ou ambas. É então derrubada pela Média, que atrai a Baixa ao seu lado, fingindo lutar pela liberdade e a justiça. 
Assim que alcança sua meta, a Média joga a Baixa na sua velha posição servil e transforma-se em Alta. Dentro em breve, uma nova classe Média se separa dos outros grupos, de um dêles ou de ambos, e a luta recomeça. Das três classes, só a Baixa nunca consegue nem êxito temporário na obtenção dos seus ideais." 

Uma Distopia real?

O romance 1984 é classificado como uma distopia, isto é, um livro que carrega desesperança e temor ao leitor. É um alerta, uma luz vermelha, um choque, um temor de um futuro que não se concretizou, mas pode se concretizar, ao menos em parte. Aliás, é o que temos observado, um mundo cada vez mais destituído de privacidade e liberdade.

Devemos temer o poder pelo poder, pois não raro está travestido de intenções em prol da coletividade. Já dizia o velho ditado que "de boas intenções o inferno está cheio":
"O Partido procura o poder por amor ao poder. Não estamos interessados no bem estar alheio; só estamos interessados no poder. Nem na riqueza, nem no luxo, nem em longa vida de prazeres: apenas no poder, poder puro. O que significa poder puro já compreenderás, daqui a pouco. Somos diferentes de todas as oligarquias do passado, porque sabemos o que estamos fazendo. Tôdas as outras, até mesmo as que se assemelhavam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos muito se aproximaram de nós nos métodos, mas nunca tiveram a coragem de reconhecer os próprios motivos. Fingiam, talvez até acreditassem, ter tomado o poder sem querer, e por tempo limitado, e que bastava dobrar a esquina para entrar num paraíso onde os seres humanos seriam iguais e livres. Nós não somos assim. Sabemos que ninguém jamais toma o poder com a intenção de largá-lo. O poder não é um meio, é um fim em si. Não se estabelece uma ditadura com o fito de salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para estabelecer a ditadura. O objetivo da perseguição é a perseguição. O objetivo da tortura é a tortura. O objetivo do poder é o poder. Agora começas a me compreender?"